Wagner Moura segura a tensão em “A Última Casa”, mas o filme se perde na própria ambição

Cinema Críticas

Por Adriana Maraviglia

Uma das estreias mais comentadas da Netflix no momento, “A Última Casa” já ocupa o topo da audiência global. O filme, que traz o brasileiro Wagner Moura no elenco, se tornou um fenômeno de público pelo mundo afora, mas não exatamente pelos motivos que seus realizadores esperavam. A discussão em torno da obra tem sido intensa, mas nem sempre com argumentos válidos.

Dirigido por Louis Leterrier, o longa acompanha a família Delgado, que, sem explicação aparente, se vê confinada dentro da própria casa, incapaz de atravessar a porta da frente em meio a uma tempestade implacável. Aos poucos, eles percebem que não estão apenas presos — estão sendo observados. A premissa, que para muitos revive o terror da vida real causado pela pandemia de Covid-19, em 2020, carrega para dentro das quatro paredes e para a vida familiar daquelas pessoas a sensação de estar lidando com algo inexplicável e intransponível, que coloca a sobrevivência daquela família em xeque.

Wagner Moura interpreta Jason, o patriarca da família, um engenheiro desempregado que tenta projetar calma enquanto a situação corrói sua confiança como marido e pai. Sua atuação é contida, cheia de silêncios e olhares, que constroem uma tensão muito mais eficaz do que qualquer explosão ou tiroteio. Ele foge do estereótipo do “latino exótico”, entregando uma performance que é, de fato, o coração do filme. Ao seu lado, Greta Lee traz uma intensidade silenciosa como Ann, uma mulher tentando manter a família funcionando enquanto aceita que algumas coisas estão além de seu controle.

O filme é uma obra de gênero. Ele se apoia em uma atmosfera de paranoia e desconfiança, um thriller psicológico que bebe da fonte de clássicos do cinema de isolamento. A tensão é construída com cuidado, e a fotografia claustrofóbica, que alterna entre a beleza austera da paisagem e o desconforto dos espaços internos, é um dos seus maiores acertos. É um filme sobre o medo do desconhecido e sobre como as relações humanas se transformam sob pressão extrema.

O que se vê, no entanto, é que sua força está em nos primeiros dois terços, quando o mistério e a luta pela sobrevivência imediata são o foco. O longa começa a tropeçar quando tenta explicar o que está acontecendo, introduzindo elementos de ficção científica e terror que nunca são totalmente desenvolvidos, resultando em uma porção final confusa e insatisfatória. Apesar de um elenco competente e de uma direção que sabe criar atmosfera, o roteiro não consegue sustentar a premissa promissora até o final.

“A Última Casa” não é uma obra-prima, mas é um suspense competente que se beneficia de um elenco seguro e de uma direção que sabe dosar o ritmo. A atuação de Wagner Moura é um ponto alto, mas a obra como um todo acaba se perdendo em sua própria ambição. Se você gosta de um bom thriller com clima de tensão crescente, vale o play, especialmente pelo início angustiante. Só não adianta esperar uma reviravolta genial ou um final à altura da premissa.

Assista ao trailer de “A Última Casa”:

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