E, cá entre nós, se depender do legado que ela deixou, a Pimentinha continua vivíssima. Aliás, não envelheceu um dia sequer, porque a obra de Elis é daquelas que atravessam gerações sem perder a validade, sem perder a potência, sem perder a emoção.
A gente olha pra Elis e vê ali uma entrega que poucos tiveram. Não era só cantar bem – e como cantava! – era sentir cada palavra na pele, era agarrar a canção pelo colarinho e sacudir até sair a última gota de sentimento. Quem nunca ouviu “Atrás da Porta” e ficou com aquele nó na garganta? Quem nunca botou “Como Nossos Pais” pra tocar num domingo à tarde e se sentiu acolhido num desabafo coletivo?
Ela chegou de Porto Alegre ainda menina, mas com uma personalidade que assustava os conservadores e encantava quem entendia de verdade. Brigou com quem precisou brigar (e como brigava!), cantou o que precisou ser cantado, inclusive num período em que o Brasil vivia dias sombrios. “O Bêbado e a Equilibrista” na voz dela virou um hino da redemocratização.
Dizem que ela era difícil, intensa, que vivia no limite. Os gênios geralmente são assim. E a verdade é que a gente aprendeu a amar a Elis com todas as suas camadas. A Elis que lutava, a Elis mãe, a Elis que lançou e deu espaço a tanta gente nova – porque ela sabia que música se faz com generosidade também.
Hoje, João Marcello, Pedro Mariano e Maria Rita seguram a saudade e carregam esse legado com a dignidade que ela merece. E a gente, fã, segue ouvindo, redescobrindo, apresentando Elis pros mais novos e vendo os olhos deles brilharem a cada play.
Então viva, Elis! Viva seus 81 anos de luz, de voz, de coragem. Você fez falta, faz e sempre fará. Mas também deixou tanta coisa boa que, no fim das contas, a gente só tem a agradecer.
Obrigado por tudo, Pimentinha. O show continua!
