Três décadas sem os Mamonas: o fenômeno que continua fazendo o Brasil sorrir

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Há exatos 30 anos, num sábado à noite que o Brasil aprenderia a guardar no peito com o coração apertado, o país perdia não apenas cinco jovens músicos, mas um fenômeno cultural que, em apenas oito meses, havia revolucionado o humor e a música popular brasileira com uma irreverência tão genuína que, até hoje, não se repetiu. Naquele 2 de março de 1996, a Serra da Cantareira silenciava uma alegria que o Brasil inteiro começava a conhecer — e que, três décadas depois, insiste em não querer ser esquecida.

Os Mamonas Assassinas – Dinho, Bento Hinoto, Samuel Reoli, Júlio Rasec e Sérgio Reoli – eram garotos de Guarulhos, cidade da Grande São Paulo, que tinham um sonho e uma capacidade única de não se levar a sério. Antes do sucesso meteórico, eles eram a banda Utopia, que tocava covers de Legião Urbana e Rush até que, num acaso de palco, chamaram um rapaz da plateia para cantar e descobriram, no improviso e na gozação, a fórmula do sucesso .

O único álbum, lançado em 23 de junho de 1995, explodiu de uma forma que a indústria fonográfica brasileira jamais havia testemunhado. Foram 1,8 milhão de cópias vendidas em oito meses – um número que, somado aos mais de 30 anos, já ultrapassa a marca de 3 milhões, consolidando o disco como o terceiro mais vendido da história da música nacional . Em determinado momento, chegavam a vender 50 mil cópias por dia. Era um fenômeno que parava o país diante da televisão, que fazia o Brasil inteiro cantarolar “Brasília Amarela”, “Pelados em Santos”, “Robocop Gay” e “Vira-Vira” com um sorriso no rosto .

A mistura de rock, pagode, forró e brega, tudo temperado com letras debochadas e um carisma absolutamente contagiante, fez dos Mamonas um patrimônio afetivo instantâneo. Eles eram nossos. Eram a molecada que poderia ter crescido no quarteirão ao lado, que fazia a gente rir das nossas próprias esquisitices.

Na noite da tragédia, o grupo voltava de um show em Brasília, no Estádio Mané Garrincha. Era o último compromisso antes de uma turnê em Portugal. O jatinho Learjet 25D, prefixo PT-LSD, fretado pela banda, tentava pousar em São Paulo quando, numa manobra de arremetida, chocou-se contra a Serra da Cantareira, na zona norte da capital. Morreram os cinco integrantes, o piloto Jorge Martins, o copiloto Alberto Takeda, o segurança Sérgio Porto e o ajudante de palco Isaac Souto. Nove vidas ceifadas num impacto que calou o país.

O velório, realizado no Ginásio Paschoal Thomeu, em Guarulhos, reuniu 30 mil pessoas. Mais de 100 mil acompanharam o cortejo. No enterro, uma cena que ainda aperta o coração: cantaram “Parabéns para Você” para Dinho, que naquele 4 de março completaria 25 anos.

Três décadas se passaram, e os Mamonas seguem vivos. Dados recentes do Spotify mostram que mais de 66% dos ouvintes da banda têm menos de 34 anos, ou seja, nasceram depois do acidente ou eram bebês quando ele ocorreu. “Pelados em Santos” ultrapassou 57 milhões de reproduções.

Na semana que antecedeu os 30 anos, os corpos dos cinco músicos foram exumados no Cemitério Parque das Primaveras, em Guarulhos, para a criação do Jardim BioParque Memorial Mamonas. As famílias optaram pela cremação, e as cinzas serão transformadas em adubo para o plantio de cinco árvores nativas – uma para cada integrante.

O memorial, que manterá os túmulos originais para visitação dos fãs, terá ainda um mural e um QR Code para que admiradores possam deixar recados e acessar fotos. “Há histórias que não se despedem. Elas criam raízes”, diz o comunicado oficial da banda .

E como criam. Trinta anos depois, a alegria dos Mamonas Assassinas continua brotando, seja nas plataformas de streaming, seja na memória afetiva de um país que aprendeu, com eles, que rir é o melhor remédio até para a saudade. Que essa alegria siga viva.


Para reviver essa explosão de alegria e bom humor, ouça o álbum dos Mamonas Assassinas: