A Maior Batalha de Mickey Haller: Crítica da Temporada que Inverte o Jogo em “O Poder e a Lei”

Cinema Críticas

Chegada a grade da Netflix na última quinta-feira (05/02), a quarta temporada de “O Poder e a Lei” eleva a série a um patamar narrativo excepcional ao subverter completamente aquilo que se espera dela.

A premissa central da série que é acompanhar o astuto advogado de defesa Mickey Haller (Manuel Garcia-Rulfo) ajudando seus clientes no tribunal, usando sua experiência e sua capacidade investigativa, nesta nova temporada é subvertida completamente quando ele precisa defender a si mesmo, já que está no banco dos réus.

Garcia-Rulfo, que já havia se apropriado do personagem com uma presença carismática e terrena, entrega aqui a sua performance mais profunda e multifacetada. Vemos o desconcerto, a ferida no orgulho e a inteligência tática de Haller se misturarem em um turbilhão de emoções que o ator conduz com maestria.

A narrativa, construída com precisão, ganha um ritmo aflitivo e cativante. Cada episódio avança como um movimento de xadrez, onde os perigos são tangíveis e as reviravoltas não surgem como artifícios, mas como consequências orgânicas de um jogo onde as apostas são a liberdade e a identidade do próprio Haller. Enquanto ele luta por sua absolvição, a dinâmica do escritório, agora assumida por seus colaboradores, oferece um contraponto fascinante e revelador. É neste momento de crise que a série explora com mais fineza os laços e as lealdades deste grupo, permitindo que personagens caros ao público, de temporadas passadas, não apenas reapareçam, mas desempenhem papéis cruciais e emocionalmente ressonantes.

A produção mantém o visual cinemático e a tensão característicos da série, mas há uma atmosfera mais claustrofóbica e introspectiva nesta temporada. A câmera observa Haller de perto, capturando seus momentos de dúvida e sua genialidade forense quando ele, mesmo acuado, não pode se abster de pensar como um advogado. O roteiro é um intrincado quebra-cabeça moral, questionando não apenas a inocência ou culpa do protagonista, mas os próprios alicerces de um sistema que ele conhece e manipula tão bem.

Esta quarta temporada não é apenas a melhor da série até agora; é uma afirmação de sua maturidade narrativa. O Poder e a Lei se supera ao transformar a fórmula que a consagrou, provando que seu maior poder está não na certeza da vitória, mas na coragem de colocar seu herói em uma zona de vulnerabilidade extrema. O resultado é uma temporada eletrizante, emocionalmente complexa e tecnicamente impecável, que solidifica a série como um dos dramas judiciais mais inteligentes e envolventes da televisão contemporânea.

Só para lembrar, “O Poder e a Lei” é uma série de televisão americana de drama jurídico criada para a televisão por David E. Kelley e desenvolvida por Ted Humphrey, baseado nos livros de Michael Connelly, sendo que o roteiro de cada temporada adapta um livro diferente. Nesta quarta temporada, o livro é “A Lei da Inocência”, o sexto volume, já lançado no Brasil.

Adriana Maraviglia
@revistaeletricidade

Assista ao trailer de “O Poder e a Lei” (quarta temporada):