Retorno Triunfal à Terra Média: Trilogia de Jackson Reocupa Cinemas em Celebração de 25 Anos

Cinema Críticas

Em um evento cinematográfico que uniu gerações, a trilogia O Senhor dos Anéis, de Peter Jackson, retornou aos cinemas de todo o mundo nos dias 22 a 24 de janeiro de 2026. A celebração pelos 25 anos da estreia da saga teve seu ápice com a exibição da versão estendida de O Retorno do Rei (2003), cujas sessões, programadas de forma limitada, foram esgotadas rapidamente, transformando as salas em verdadeiros santuários de um culto cinematográfico atemporal. O fato de um filme com mais de quatro horas de duração lotar as salas de cinema em plena era do streaming é um fenômeno raro e um testemunho eloquente do legado único desta obra.

Quando estreou, em 2003, O Retorno do Rei realizou o feito lendário de ser indicado a 11 Oscars e vencer os 11, igualando-se a títulos como Ben-Hur e Titanic. Foi a consagração da Academia a um gênero que frequentemente ignorava. No entanto, ao revisitar o filme com os olhos de hoje, percebe-se uma lacuna histórica nas indicações: a ausência de reconhecimento individual para atores que hoje se confundem com os personagens clássicos da Saga.

Andy Serkis, cujo Gollum foi uma revolução técnica e dramática, permanece inexplicavelmente sem uma nomeação sequer. Sean Astin, cuja performance como Samwise Gamgee, um farol de lealdade e amor puro que guia o clímax da jornada — também foi negligenciado pela Academia. Da mesma forma, Bernard Hill, que conferiu a Théoden de Rohan uma tragédia shakespeariana e uma redenção épica, realizou um trabalho de ator que merecia estar na disputa. Estes não foram lapsos de qualidade, mas talvez um sintoma de como a grandeza de um todo pode, por vezes, ofuscar o brilho de suas partes mais fundamentais.

De fato, o trabalho visionário de Jackson definiu a estética e o tratamento de toda a obra de Tolkien no cinema. Sua concepção da Terra-média tornou-se a referência visual absoluta, e a integração entre o humano e o digital estabeleceu um novo paradigma. Mais do que nunca, o tema central da guerra contra um poder sombrio e totalitário que ameaça toda a vida se mostra uma reflexão pungente. A luta contra a esmagadora máquina de guerra de Sauron ecoa em um presente onde forças de opressão e ideias doentias ainda buscam se impor, reforçando a atualidade quase profética da narrativa.

O filme é um fenômeno raro que parece não ter envelhecido um só dia. A trilha sonora majestosa de Howard Shore, os figurinos, a maquiagem — todos os elementos que lhe renderam estatuetas douradas — continuam a funcionar em perfeita harmonia. A fantasia de Tolkien possui um apelo eterno porque fala sobre a condição humana: amizade, sacrifício e a luta entre a luz e a sombra dentro de cada um.

Reassistir a O Retorno do Rei hoje, em uma sala lotada, não é um ato de nostalgia passiva. É uma reafirmação coletiva. Uma reafirmação do poder do cinema épico, da importância de se contar histórias com ambição desmedida e coração ainda maior, e da relevância perene de um conto que nos ensina sobre resistência, esperança e o valor inestimável daquilo — e daqueles — que lutamos para preservar. Peter Jackson não nos deu apenas um final; ele nos presenteou com um monumento que, 25 anos depois, não apenas se mantém de pé, mas continua a crescer e a comover.

O Legado Vivo de uma Obra-Prima

O Retorno do Rei é um fenômeno raro que parece não ter envelhecido um só dia. Cada quadro, cada sequência de batalha épica (como o assombroso cerco a Minas Tirith) e cada momento de quietude emocional permanecem tão poderosos e imersivos quanto em 2003. A trilha sonora majestosa de Howard Shore, os figurinos, a maquiagem — todos os elementos que renderam cada um de seus 11 Oscars — continuam a funcionar em perfeita harmonia.

A fantasia de Tolkien possui uma beleza e um apelo eternos porque, em seu cerne, está a condição humana: usando as criaturas das riquíssimas mitologias celtas e nórdicas, o filme fala sobre amizade, sacrifício, a luta entre a luz e a sombra dentro de cada um, e a melancolia daqueles que partem após verem muito. O filme captura essa essência com uma rara fidelidade de espírito. Os múltiplos desfechos, por vezes criticados, são na verdade necessários. Eles são o suspiro prolongado de uma saga que exige despedidas, o reconhecimento de que mesmo as maiores vitórias deixam marcas e que a volta para casa é, ela mesma, uma nova jornada.

Reassistir a O Retorno do Rei hoje não é mera nostalgia, é a possibilidade de mostrar para as novas gerações o poder de uma obra prima do cinema. Uma reafirmação de que histórias podem ser contadas com ambição desmedida e coração ainda maior, e da relevância perene de um conto que nos ensina a continuar lutando mesmo quando todas as chances parecem perdidas. Peter Jackson não nos deu apenas uma belíssima adaptação de um clássico da literatura; ele nos presenteou com um monumento cinematográfico que, 25 anos depois de seu início, continua a crescer, a encantar e a nos lembrar do valor daquilo que lutamos para preservar.

Adriana Maraviglia
@revistaeletricidade

Assista ao trailer de “O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei”: