{"id":62,"date":"2025-12-18T09:00:00","date_gmt":"2025-12-18T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/?p=62"},"modified":"2026-01-16T06:15:56","modified_gmt":"2026-01-16T09:15:56","slug":"linklater-filma-sua-carta-de-amor-a-godard-em-nouvelle-vague","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/index.php\/2025\/12\/18\/linklater-filma-sua-carta-de-amor-a-godard-em-nouvelle-vague\/","title":{"rendered":"Linklater filma sua carta de amor a Godard em Nouvelle Vague"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Chega nesta quinta\u2011feira (18\/12) aos cinemas brasileiros Nouvelle Vague, novo longa de Richard Linklater que se apresenta como uma carta de amor ao cinema e, em particular, \u00e0 obra de Jean\u2011Luc Godard e \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o est\u00e9tica da Nouvelle Vague.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Linklater, conhecido pelo tom contemplativo de filmes como a trilogia Antes do Amanhecer, prop\u00f5e uma mistura de document\u00e1rio e reconstitui\u00e7\u00e3o dos bastidores de \u00c0 Bout de Souffle (1960). O diretor n\u00e3o busca a reprodu\u00e7\u00e3o literal dos fatos: o filme privilegia uma impress\u00e3o do processo criativo \u2014 o caos, a paix\u00e3o e a irrever\u00eancia que marcaram aquela filmagem seminal.<br>O trio central de atores Guillaume Marbeck (Godard), Zoey Deutch (Jean Seberg) e Aubry Dullin (Jean-Paul Belmondo) \u00e9 encantador e mantem o p\u00fablico mergulhado naquele ambiente criativo com muito charme e leveza.&nbsp;<br><br>A narrativa adota ritmo leve e estilizado, alternando fic\u00e7\u00e3o e making\u2011of quase on\u00edrico. Linklater captura tra\u00e7os centrais da Nouvelle Vague \u2014 enquadramentos desconstru\u00eddos, di\u00e1logo naturalista, quebra da quarta parede e refer\u00eancias \u00e0 cultura pop \u2014 sem tentar emular o corte fren\u00e9tico de Godard. O resultado \u00e9 uma leitura afetiva do movimento, filtrada pelo tempo e pela perspectiva do autor.<br><br>O filme destaca o trabalho coletivo: imprevistos de set, debates entre takes e a euforia de criar algo novo. A c\u00e2mera funciona como observadora participante, encontrando poesia no improviso e significado nos intervalos. O elenco entrega performances afiadas que traduzem tanto personagens ic\u00f4nicos quanto a energia de uma juventude em ebuli\u00e7\u00e3o.<br><br>A fotografia merece men\u00e7\u00e3o especial: a dire\u00e7\u00e3o de fotografia recria com delicadeza e precis\u00e3o a Paris do final dos anos 1950 e in\u00edcio dos anos 1960, em preto e branco, luz natural e composi\u00e7\u00f5es que evocam tanto o realismo quanto o lirismo da \u00e9poca. Essas imagens n\u00e3o apenas situam o espectador no tempo, mas refor\u00e7am o tom nost\u00e1lgico e celebrat\u00f3rio do filme, transformando a cidade em personagem.<br><br>A indica\u00e7\u00e3o ao Globo de Ouro na categoria com\u00e9dia\/musical sinaliza o tom espirituoso da obra. A comicidade nasce das situa\u00e7\u00f5es e do contraste entre ambi\u00e7\u00e3o art\u00edstica e percal\u00e7os cotidianos de uma produ\u00e7\u00e3o conferindo \u00e0 obra leveza e prazer pelo fazer cinematogr\u00e1fico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nouvelle Vague opera em dois n\u00edveis: para conhecedores de Godard, oferece uma experi\u00eancia anal\u00edtica e repleta de refer\u00eancias; para novos espectadores, funciona como porta de entrada acess\u00edvel a um cap\u00edtulo decisivo da hist\u00f3ria do cinema. Mais do que homenagem, a obra estabelece um di\u00e1logo entre gera\u00e7\u00f5es de cineastas disruptivos, em que Linklater preserva sua voz sem recorrer ao pastiche.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao privilegiar a viv\u00eancia do set em vez da precis\u00e3o documental, Linklater entrega uma obra comovente e esteticamente coerente, indicada para quem valoriza a tela grande como espa\u00e7o de inven\u00e7\u00e3o e revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\"><strong>Adriana Maraviglia<br><a href=\"https:\/\/www.twitter.com\/rev_eletrici\">@revistaeletricidade<\/a><\/strong><br><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-left\"><br><br>Assista ao trailer de &#8220;Nouvelle Vague&#8221;: <\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed aligncenter is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"NOUVELLE VAGUE | Trailer Oficial\" width=\"640\" height=\"360\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/fmf3mu9BrBA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Chega nesta quinta\u2011feira (18\/12) aos cinemas brasileiros Nouvelle Vague, novo longa de Richard Linklater que se apresenta como uma carta de amor ao cinema e, em particular, \u00e0 obra de Jean\u2011Luc Godard e \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o est\u00e9tica da Nouvelle Vague. 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