{"id":603,"date":"2025-11-03T08:39:00","date_gmt":"2025-11-03T11:39:00","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/?p=603"},"modified":"2026-02-06T08:55:37","modified_gmt":"2026-02-06T11:55:37","slug":"morre-lo-borges-genio-timido-e-arquiteto-do-clube-da-esquina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/index.php\/2025\/11\/03\/morre-lo-borges-genio-timido-e-arquiteto-do-clube-da-esquina\/","title":{"rendered":"Morre L\u00f4 Borges, G\u00eanio T\u00edmido e Arquiteto do Clube da Esquina"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na noite deste domingo (02\/11), a m\u00fasica brasileira perdeu um de seus sons mais delicados e ao mesmo tempo mais profundos. Aos 73 anos, partiu L\u00f4 Borges depois de passar 16 dias internado no Hospital Unimed de Belo Horizonte, com um quadro grave de intoxica\u00e7\u00e3o por rem\u00e9dios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O menino g\u00eanio de Belo Horizonte que, com sua voz anasalada e suas can\u00e7\u00f5es que eram como sonhos acordados, ajudou a redesenhar o mapa da MPB. Morreu n\u00e3o um simples cantor ou compositor, mas um dos arquitetos de um dos maiores discos da m\u00fasica brasileira, o \u00e1lbum \u201cClube da Esquina\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">L\u00f4 era a ess\u00eancia daquele movimento mineiro que floresceu nos anos 1970, n\u00e3o como um estilo, mas como um estado de esp\u00edrito. Enquanto o mundo sambava, enfrentava ditaduras ou se perdia no caos do rock internacional, um grupo de jovens em Minas Gerais compunha sobre a passagem do tempo, as nuvens no c\u00e9u, os trens que partiam e o amor que do\u00eda com a pureza de uma primeira paix\u00e3o. E no centro dessa constela\u00e7\u00e3o, L\u00f4 Borges era sua estrela mais t\u00edmida e, paradoxalmente, uma de suas luzes mais brilhantes. Sua m\u00fasica era feita do barro das ruas de BH, mas alcan\u00e7ava o mundo inteiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi no lend\u00e1rio \u00e1lbum duplo \u201cClube da Esquina\u201d, de 1972, concebido em parceria com Milton Nascimento que a genialidade de L\u00f4 explodiu para o mundo. Ele, ent\u00e3o com apenas 21 anos, n\u00e3o era um coadjuvante; era uma grande for\u00e7a criativa. Foi dele uma das can\u00e7\u00f5es que se tornaria o hino informal do movimento, \u201cO Trem Azul\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas L\u00f4 criou bem mais do que um hino. Era a textura sutil, o detalhe que comove. Can\u00e7\u00f5es como \u201cPaisagem da Janela\u201d, composta com Beto Guedes, ou \u201cClube da Esquina 2\u201d s\u00e3o testamentos de sua sensibilidade \u00fanica. Ele n\u00e3o cantava sobre o amor; cantava sobre a saudade que o amor deixa, sobre a luz da tarde que incide sobre uma lembran\u00e7a. Sua voz, um sussurro carregado de emo\u00e7\u00e3o contida, era o instrumento perfeito para entregar letras que eram pequenas p\u00e9rolas de lirismo cotidiano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com 16 discos solo, a carreira de L\u00f4 Borges come\u00e7a no mesmo ano de lan\u00e7amento do \u201cClube da Esquina\u201d, em 1972, o chamado \u201cDisco do T\u00eanis\u201d trazia can\u00e7\u00f5es como \u201cVoc\u00ea Fica Melhor Assim\u201d e uma m\u00fasica que era introspectiva sem ser egoc\u00eantrica, melanc\u00f3lica sem ser amargurada. Havia uma do\u00e7ura, uma aceita\u00e7\u00e3o terna da vida e suas imperman\u00eancias.<br><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"589\" src=\"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/discodotenis-1-1024x589.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-606\" srcset=\"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/discodotenis-1-1024x589.jpg 1024w, https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/discodotenis-1-300x173.jpg 300w, https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/discodotenis-1-768x442.jpg 768w, https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/discodotenis-1.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong>Capa do &#8220;Disco do T\u00eanis&#8221; &#8211; foto: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br>L\u00f4 Borges nunca buscou os holofotes. Viveu longe do centro do poder cultural do eixo Rio-S\u00e3o Paulo, como que protegendo a fonte pura de sua inspira\u00e7\u00e3o. Sua import\u00e2ncia, no entanto, \u00e9 imensur\u00e1vel. Ele foi um dos respons\u00e1veis por inserir uma sensibilidade rock\u2019n\u2019roll \u2013 no sentido de inquieta\u00e7\u00e3o e liberdade \u2013 dentro da estrutura sofisticada da MPB, provando que a complexidade poderia andar de m\u00e3os dadas com a simplicidade mel\u00f3dica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A noite mineira, c\u00e9lebre em suas can\u00e7\u00f5es, agora o acolhe. Mas sua m\u00fasica, esse sopro de poesia e melodia que ajudou a definir o que h\u00e1 de melhor na m\u00fasica brasileira, permanece. Como o trem azul de sua can\u00e7\u00e3o mais famosa, a obra de L\u00f4 Borges segue seu curso, levando e trazendo sonhos, consolando cora\u00e7\u00f5es e iluminando as paisagens da janela de todos n\u00f3s. \u00c9 um legado de rara beleza, um suspiro que ecoar\u00e1 para sempre.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na noite deste domingo (02\/11), a m\u00fasica brasileira perdeu um de seus sons mais delicados e ao mesmo tempo mais profundos. Aos 73 anos, partiu L\u00f4 Borges depois de passar 16 dias internado no Hospital Unimed de Belo Horizonte, com um quadro grave de intoxica\u00e7\u00e3o por rem\u00e9dios. O menino g\u00eanio de Belo Horizonte que, com [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":605,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[15,5,10],"tags":[],"class_list":["post-603","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil","category-musica","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/603","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=603"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/603\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":607,"href":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/603\/revisions\/607"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/605"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=603"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=603"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=603"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}