{"id":352,"date":"2026-01-31T10:39:04","date_gmt":"2026-01-31T13:39:04","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/?p=352"},"modified":"2026-02-11T16:26:32","modified_gmt":"2026-02-11T19:26:32","slug":"apos-o-fiasco-a-reconquista-bekmambetov-retoma-o-trono-do-thriller-digital-com-justica-artificial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/index.php\/2026\/01\/31\/apos-o-fiasco-a-reconquista-bekmambetov-retoma-o-trono-do-thriller-digital-com-justica-artificial\/","title":{"rendered":"Ap\u00f3s o Fiasco, a Reconquista: Bekmambetov Retoma o Trono do Thriller Digital com Justi\u00e7a Artificial"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\"><strong>Por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.twitter.com\/drikared3\">Adriana Maraviglia<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em um mundo onde nossos passos s\u00e3o rastreados, nossas palavras s\u00e3o analisadas e nossos desejos s\u00e3o antecipados por algoritmos, n\u00e3o surpreende que a justi\u00e7a humana tamb\u00e9m se torne obsoleta. \u00c9 neste cen\u00e1rio de 2029 que Timur Bekmambetov, o diretor russo-cazaque que nos apresentou a ang\u00fastia digital de \u201cBuscando\u201d (2018), planta a semente de \u201cJusti\u00e7a Artificial\u201d (Mercy).  Ap\u00f3s o trope\u00e7o amplamente criticado em \u201cA Guerra dos Mundos\u201d (2025), Bekmambetov retorna ao territ\u00f3rio que domina: a narrativa engendrada pela e sobre a tecnologia que nos define.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A premissa \u00e9 um pesadelo moderno, assustadoramente plaus\u00edvel. Chris Raven (Chris Pratt) acorda n\u00e3o em sua cama, mas preso a uma cadeira, diante da fria e impessoal ju\u00edza Maddox (Rebecca Ferguson). O crime? O assassinato da pr\u00f3pria esposa, Nicole (Annabelle Wallis). O julgador? Um sistema de Intelig\u00eancia Artificial infal\u00edvel, que montou um caso irrefut\u00e1vel em poucas horas. O prazo? Noventa minutos. A partir da\u00ed, o filme se transforma em um rel\u00f3gio de areia cinematogr\u00e1fico, onde cada gr\u00e3o de areia que cai \u00e9 um suspiro de ang\u00fastia do espectador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Bekmambetov aplica aqui a mesma est\u00e9tica \u201cscreenlife\u201d que revolucionou \u201cBuscando\u201d, mas com uma evolu\u00e7\u00e3o not\u00e1vel. Se antes a trama se desenrolava em telas de computador, aqui a tecnologia \u00e9 mais onipresente e, portanto, mais invasiva. As provas n\u00e3o s\u00e3o impressas; s\u00e3o proje\u00e7\u00f5es hologr\u00e1ficas. As testemunhas n\u00e3o est\u00e3o na sala; &nbsp;dep\u00f5em atrav\u00e9s de chamadas de v\u00eddeo. A pr\u00f3pria sala de interrogat\u00f3rio \u00e9 um cubo tecnol\u00f3gico, onde as paredes se tornam telas que exibem a vida desmontada de Raven. O diretor n\u00e3o usa o artif\u00edcio como mero show-off visual; ele \u00e9 a pr\u00f3pria linguagem do filme, a materializa\u00e7\u00e3o de um mundo onde a privacidade morreu e a verdade \u00e9 um quebra-cabe\u00e7a montado por m\u00e1quinas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Chris Pratt, afastando-se de seu habitual tom descontra\u00eddo, entrega uma performance contida e desesperada. Seu Raven \u00e9 um homem comum pego nas engrenagens de um sistema que n\u00e3o permite apela\u00e7\u00e3o \u00e0 emo\u00e7\u00e3o. Rebecca Ferguson, por sua vez, \u00e9 o perfeito contraponto humano \u00e0 m\u00e1quina: sua Maddox \u00e9 profissional, quase rob\u00f3tica, mas nos olhos dela vislumbramos a d\u00favida \u2013 ser\u00e1 ela um instrumento do sistema ou sua \u00faltima guardi\u00e3? A qu\u00edmica tensa entre os dois \u00e9 o motor que sustenta a narrativa, um jogo de gato e rato onde as regras mudam a cada nova evid\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O roteiro \u00e9 um labirinto bem arquitetado. As reviravoltas n\u00e3o surgem por mero capricho, mas s\u00e3o consequ\u00eancias l\u00f3gicas da investiga\u00e7\u00e3o digital, onde um e-mail esquecido, um hist\u00f3rico de localiza\u00e7\u00e3o ou um pagamento online podem ser a chave para a absolvi\u00e7\u00e3o ou a condena\u00e7\u00e3o. O filme brinca com nossa pr\u00f3pria paranoia contempor\u00e2nea: em uma era de vigil\u00e2ncia total, qual espa\u00e7o nos resta para o erro, para o acidente, para o contexto humano? A tens\u00e3o \u00e9 quase palp\u00e1vel, constru\u00edda n\u00e3o com persegui\u00e7\u00f5es espetaculares, mas com revela\u00e7\u00f5es de arquivos e informa\u00e7\u00f5es que tinham ficado perdidas na constru\u00e7\u00e3o do caso.  <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cJusti\u00e7a Artificial\u201d n\u00e3o \u00e9 um tratado filos\u00f3fico pesado, mas um thriller inteligente que usa seu dispositivo high-tech para fazer perguntas urgentes. O filme questiona nossa entrega cega \u00e0 efici\u00eancia dos algoritmos, nossa ren\u00fancia \u00e0 complexidade do julgamento humano em nome de uma suposta imparcialidade digital. Bekmambetov, ap\u00f3s seu desastre em &#8220;Guerra dos Mundos&#8221;, lembra-nos aqui de seu talento singular para transformar a est\u00e9tica da nossa vida cotidiana \u2013 cheia de telas, senhas e interfaces \u2013 em cinema de tens\u00e3o genu\u00edna.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 um entretenimento de primeira linha, que prende do primeiro minuto ao \u00faltimo, mas que deixa um eco perturbador ap\u00f3s os cr\u00e9ditos finais. Afinal, 2029 n\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o longe. E no tribunal da nossa pr\u00f3pria depend\u00eancia tecnol\u00f3gica, talvez j\u00e1 estejamos, todos n\u00f3s, em julgamento.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-left\">Assista ao trailer de &#8220;Justi\u00e7a Artificial&#8221;: <\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed aligncenter is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Justi\u00e7a Artificial - Trailer Oficial Legendado\" width=\"640\" height=\"360\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/vZWY9JBiOL4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por\u00a0Adriana Maraviglia Em um mundo onde nossos passos s\u00e3o rastreados, nossas palavras s\u00e3o analisadas e nossos desejos s\u00e3o antecipados por algoritmos, n\u00e3o surpreende que a justi\u00e7a humana tamb\u00e9m se torne obsoleta. \u00c9 neste cen\u00e1rio de 2029 que Timur Bekmambetov, o diretor russo-cazaque que nos apresentou a ang\u00fastia digital de \u201cBuscando\u201d (2018), planta a semente de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":354,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4,12],"tags":[],"class_list":["post-352","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cinema","category-criticas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/352","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=352"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/352\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":711,"href":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/352\/revisions\/711"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/354"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=352"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=352"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=352"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}