{"id":334,"date":"2025-10-31T14:46:00","date_gmt":"2025-10-31T17:46:00","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/?p=334"},"modified":"2026-01-31T15:15:22","modified_gmt":"2026-01-31T18:15:22","slug":"a-sombra-de-uma-ausencia-primavera-nos-dentes-narra-o-mito-secos-molhados-sem-joao-ricardo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/index.php\/2025\/10\/31\/a-sombra-de-uma-ausencia-primavera-nos-dentes-narra-o-mito-secos-molhados-sem-joao-ricardo\/","title":{"rendered":"A sombra de uma aus\u00eancia: Primavera nos Dentes narra o mito Secos &amp; Molhados sem Jo\u00e3o Ricardo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma banda que ousava encarar de frente a ditadura militar sanguin\u00e1ria, um furac\u00e3o de androginia, poesia afiada e teatralidade visceral; o Secos &amp; Molhados n\u00e3o foi apenas um fen\u00f4meno de vendas nos anos 1970, foi um territ\u00f3rio de liberdade conquistado \u00e0 for\u00e7a, com maquiagem, figurinos que chocavam a &#8220;tradicional fam\u00edlia brasileira&#8221; e letras que cortavam como navalha. Cinquenta anos depois, a s\u00e9rie documental Primavera Nos Dentes, do diretor Miguel de Almeida, que estreia nesta sexta-feira (31\/10) no Canal Brasil \u00e0s 21h30, se prop\u00f5e a dissecar esse mito. Os dois primeiros epis\u00f3dios, exibidos para a imprensa, confirmam a ambi\u00e7\u00e3o e o rigor da empreitada, mas tamb\u00e9m escancaram uma ferida que nunca fechou: a aus\u00eancia silenciosa e intransigente de Jo\u00e3o Ricardo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A s\u00e9rie \u00e9 guiada pelo livro hom\u00f4nimo escrito pelo pr\u00f3prio diretor Miguel de Almeida e constru\u00edda sobre uma base s\u00f3lida de depoimentos que ajudam a reconstruir esta hist\u00f3ria Ney Matogrosso, Gerson Conrad, Emilio Carrera, &nbsp;Willy Verdaguer&nbsp; e Paulo Mendon\u00e7a narram com riqueza de detalhes o ambiente teatral que gestou a banda, a efervesc\u00eancia criativa e o impacto de explos\u00e3o. As imagens de arquivo s\u00e3o um personagem \u00e0 parte, transportando o espectador para o momento terr\u00edvel do Brasil sob a repress\u00e3o, contrastando brutalmente com o sopro de ar puro \u2013 ou melhor, de ar revolucion\u00e1rio \u2013 que o trio representava.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ney, em seu depoimento, \u00e9 categ\u00f3rico ao explicar a ic\u00f4nica maquiagem kabuki: era a cria\u00e7\u00e3o de uma persona, uma m\u00e1scara que, paradoxalmente, permitia a revela\u00e7\u00e3o mais crua de seus corpos e vozes. Ela permitia a liberdade de continuar an\u00f4nimo mesmo enquanto a m\u00fasica e a imagem da banda explodia na m\u00eddia e nas paradas de sucesso.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"589\" src=\"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/primavera2-1024x589.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-422\" srcset=\"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/primavera2-1024x589.jpg 1024w, https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/primavera2-300x173.jpg 300w, https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/primavera2-768x442.jpg 768w, https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/primavera2.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong>Secos &amp; Molhados &#8211; foto: Revista Eletricidade (Adriana Maraviglia)<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A import\u00e2ncia do grupo \u00e9 dimensionada por vozes de outras gera\u00e7\u00f5es, como Charles Gavin, Frejat, Ana Ca\u00f1as e Duda Brack que atestam a influ\u00eancia atemporal daquele projeto que desmontou conven\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, a sombra de Jo\u00e3o Ricardo, o principal compositor da banda, paira sobre a obra como um fantasma. Sua recusa em participar e, mais crucialmente, em autorizar o uso das m\u00fasicas originais do Secos &amp; Molhados, imp\u00f4s um desafio colossal \u00e0 produ\u00e7\u00e3o. A solu\u00e7\u00e3o encontrada foi t\u00e3o criativa quanto a pr\u00f3pria banda: em vez de tentar substituir o irreproduz\u00edvel, a produ\u00e7\u00e3o encomendou novas can\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, Paulo Mendon\u00e7a (que integrou a banda do Secos &amp; Molhados) e os m\u00fasicos Em\u00edlio Carrera (piano) e Willy Verdaguer (baixo) compuseram sete m\u00fasicas in\u00e9ditas para a trilha. O \u00e1pice desse esfor\u00e7o \u00e9 \u201cOuvindo o Sil\u00eancio\u201d, uma can\u00e7\u00e3o in\u00e9dita de Gerson Conrad e Paulo Mendon\u00e7a que reuniu, em um est\u00fadio, Ney, Gerson, Paulo, Em\u00edlio e Willy \u2013 uma reuni\u00e3o hist\u00f3rica, meio s\u00e9culo depois. As novas composi\u00e7\u00f5es atuam como um coment\u00e1rio, uma trilha paralela que recria a sonoridade sem violar a proibi\u00e7\u00e3o, criando um di\u00e1logo com o passado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ironia \u00e9 pungente. Primavera Nos Dentes consegue mapear com perfei\u00e7\u00e3o o sopro de liberdade que o grupo representou, mas esbarra nas mesmas m\u00e1goas que provocaram seu fim precoce. A s\u00e9rie \u00e9, portanto, um documento t\u00e3o importante quanto incompleto. Ela prova que as mesmas for\u00e7as de genialidade e conflito que forjaram o mito Secos &amp; Molhados ainda s\u00e3o capazes de moldar sua hist\u00f3ria, meio s\u00e9culo depois. A primavera, afinal, pode ter florescido nos dentes, mas algumas cicatrizes ainda doem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>S\u00e9rie documental Primavera nos Dentes&nbsp;&#8211; A Hist\u00f3ria do Secos &amp; Molhados<br>Onde: Canal Brasil<br>Quando: Sexta-feira, 31\/10, \u00e0s 21h30<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"589\" src=\"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/primavera3-2-1024x589.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-426\" srcset=\"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/primavera3-2-1024x589.jpg 1024w, https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/primavera3-2-300x173.jpg 300w, https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/primavera3-2-768x442.jpg 768w, https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/primavera3-2.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong>Document\u00e1rio &#8220;Primavera nos Dentes&#8221; &#8211; foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma banda que ousava encarar de frente a ditadura militar sanguin\u00e1ria, um furac\u00e3o de androginia, poesia afiada e teatralidade visceral; o Secos &amp; Molhados n\u00e3o foi apenas um fen\u00f4meno de vendas nos anos 1970, foi um territ\u00f3rio de liberdade conquistado \u00e0 for\u00e7a, com maquiagem, figurinos que chocavam a &#8220;tradicional fam\u00edlia brasileira&#8221; e letras que cortavam [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":337,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[15,4,12,5],"tags":[],"class_list":["post-334","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil","category-cinema","category-criticas","category-musica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/334","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=334"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/334\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":427,"href":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/334\/revisions\/427"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/337"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=334"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=334"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=334"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}