{"id":235,"date":"2025-08-02T14:11:00","date_gmt":"2025-08-02T17:11:00","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/?p=235"},"modified":"2026-01-20T14:47:45","modified_gmt":"2026-01-20T17:47:45","slug":"uma-aula-de-brasilidade-o-show-de-80-anos-de-ivan-lins-sem-nostalgia-com-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/index.php\/2025\/08\/02\/uma-aula-de-brasilidade-o-show-de-80-anos-de-ivan-lins-sem-nostalgia-com-vida\/","title":{"rendered":"Uma aula de brasilidade: O Show de 80 anos de Ivan Lins, sem nostalgia, com vida"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na noite de sexta-feira, 1\u00ba de agosto, o Tokio Marine Hall \u2013 palco que celebrava seus 30 anos como guardi\u00e3o da cultura paulistana \u2013 transformou-se em santu\u00e1rio \u00edntimo para a jornada pelos 80 anos de Ivan Lins. Com a casa lotada, o p\u00fablico testemunhou muito al\u00e9m de um concerto: participou de um ato coletivo de resgate da mem\u00f3ria musical brasileira, guiado pelo compositor-pianista que, com voz e hist\u00f3rias, teceu cinco d\u00e9cadas de uma obra indissoci\u00e1vel da identidade do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Num movimento entre o piano e as lembran\u00e7as, o espet\u00e1culo dirigido por Claudio Lins, filho do artista e herdeiro de seu talento multifacetado, surgiu como uma colcha de retalhos emotiva. As can\u00e7\u00f5es agruparam-se em blocos que revelavam as facetas do criador: a do poeta do amor, com &#8220;O Amor \u00e9 o Meu Pa\u00eds&#8221; e &#8220;Iluminados&#8221; em arranjos delicados; a do cronista pol\u00edtico, onde &#8220;Cartomante&#8221; e &#8220;Aos Nossos Filhos&#8221; ecoaram como protesto, e a in\u00e9dita e pungente &#8220;Meninos de Gaza&#8221; (parceria com Simone Guimar\u00e3es), com versos como &#8220;Eram meninos \/ Sementes de sonhos&#8221;, ergueu-se como r\u00e9quiem contempor\u00e2neo; e a das ra\u00edzes interioranas, em que &#8220;Guarde nos Olhos&#8221; e &#8220;Bandeira do Divino&#8221; mostraram o Brasil profundo descoberto por Lins atrav\u00e9s de Vitor Martins. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As participa\u00e7\u00f5es foram documentos vivos dessa tradi\u00e7\u00e3o. Claudio Lins, o filho e diretor do espet\u00e1culo, emergiu como coautor da narrativa. Em duetos como &#8220;Aos Nossos Filhos&#8221; e &#8220;Cartomante&#8221;, suas vozes entrela\u00e7aram-se nos momentos mais emocionantes do show. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pedro Mariano, herdeiro de Elis Regina (int\u00e9rprete seminal de Lins), trouxe a circularidade po\u00e9tica: homenageou a m\u00e3e com &#8220;Lembra de Mim&#8221; e um vertiginoso pout-pourri de &#8220;Madalena\/Samba da Ben\u00e7\u00e3o&#8221; \u2013 o filho da cantora imortalizando o compositor que ela ajudou a consagrar. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"589\" src=\"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/ivanlins2-1024x589.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-237\" srcset=\"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/ivanlins2-1024x589.jpg 1024w, https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/ivanlins2-300x173.jpg 300w, https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/ivanlins2-768x442.jpg 768w, https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/ivanlins2.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong>Ivan Lins e Claudio Lins &#8211; foto: Revista Eletricidade (Valeria Maraviglia)<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre can\u00e7\u00f5es, Ivan desdobrou seu di\u00e1rio em voz alta. Lembrou a ditadura (e como o verso &#8220;Apesar dos perigos \/ Estamos mais vivos&#8221;, de &#8220;Novo Tempo&#8221;, ganhou novos significados), celebrou o &#8220;casamento musical&#8221; com Vitor Martins e tocou na perda recente de Preta Gil. Esta foi evocada pelos vocais de Tatiana Parra, com &#8220;Vitoriosa&#8221;, cujos versos sobre &#8220;alegria escandalosa&#8221; soaram como um epit\u00e1fio luminoso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No bis, &#8220;Novo Tempo&#8221; reuniu Ivan, Claudio e Pedro Mariano. O hino de resist\u00eancia de 1980 transformou-se em profecia autocumprida: &#8220;Estamos na luta \/ Pra sobreviver&#8221; ecoou enquanto o p\u00fablico, de p\u00e9, respondia em un\u00edssono. Prova de que sua obra n\u00e3o \u00e9 relic\u00e1rio, mas ferramenta viva de reinven\u00e7\u00e3o coletiva. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mais que celebra\u00e7\u00e3o cronol\u00f3gica, Ivan Lins 80 foi aula de brasilidade. Evitou a nostalgia ao incluir a in\u00e9dita &#8220;Meninos de Gaza&#8221;, integrar gera\u00e7\u00f5es sem folclorizar heran\u00e7as e humanizar o mito: Ivan chorou ao piano, brincou com a idade, errou uma nota \u2013 e tudo isso apenas o engrandeceu. Como sintetizou Claudio Lins: &#8220;Ivan nunca fez uma m\u00fasica feia&#8221;. Naquela noite, o Tokio Marine Hall confirmou: ele tamb\u00e9m nunca fez um show menor que a vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\"><strong>Adriana Maraviglia<br><a href=\"https:\/\/www.twitter.com\/rev_eletrici\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">@revistaeletricidade<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Setlist Show Ivan Lins no Tokio Marine Hall &#8211; SP (01\/08\/2025): <\/h3>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>Meu piano\u00a0<\/li>\n\n\n\n<li>Abre Alas<\/li>\n\n\n\n<li>Deixa eu dizer<\/li>\n\n\n\n<li>Daquilo que eu sei<\/li>\n\n\n\n<li>O Amor \u00e9 o Meu Pa\u00eds <\/li>\n\n\n\n<li>Iluminados<\/li>\n\n\n\n<li>Ai, ai, ai, ai, ai<\/li>\n\n\n\n<li>A noite<\/li>\n\n\n\n<li>Saindo de mim<\/li>\n\n\n\n<li>Come\u00e7ar de novo<\/li>\n\n\n\n<li>Porta Entreaberta <\/li>\n\n\n\n<li>Emoldurada<\/li>\n\n\n\n<li>Sou eu<\/li>\n\n\n\n<li>Atr\u00e1s Poeira \/ Qualquer Dia\u00a0<\/li>\n\n\n\n<li>Guarde nos Olhos<\/li>\n\n\n\n<li>Bandeira do Divino<\/li>\n\n\n\n<li>Olhos Pra Te Ver<\/li>\n\n\n\n<li>Vieste<\/li>\n\n\n\n<li>Vitoriosa<\/li>\n\n\n\n<li>Meninos de Gaza <\/li>\n\n\n\n<li>Aos nossos filhos (com Claudio Lins)<\/li>\n\n\n\n<li>Cartomante (com Claudio Lins)<\/li>\n\n\n\n<li>Lembra de mim (Com Pedro Mariano)<\/li>\n\n\n\n<li>Madalena \/ Samba da Ben\u00e7\u00e3o (Com Pedro Mariano)<\/li>\n\n\n\n<li>Bilhete<\/li>\n\n\n\n<li>Lua soberana<\/li>\n\n\n\n<li>Antes que seja tarde<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Bis: <br>Novo tempo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na noite de sexta-feira, 1\u00ba de agosto, o Tokio Marine Hall \u2013 palco que celebrava seus 30 anos como guardi\u00e3o da cultura paulistana \u2013 transformou-se em santu\u00e1rio \u00edntimo para a jornada pelos 80 anos de Ivan Lins. 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