{"id":119,"date":"2025-11-09T14:33:00","date_gmt":"2025-11-09T17:33:00","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/?p=119"},"modified":"2026-01-16T06:15:57","modified_gmt":"2026-01-16T09:15:57","slug":"frankenstein-um-pesadelo-gotico-e-sublime","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/index.php\/2025\/11\/09\/frankenstein-um-pesadelo-gotico-e-sublime\/","title":{"rendered":"Frankenstein\u00a0 &#8211; Um Pesadelo G\u00f3tico e Sublime"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos filmes mais esperados de 2025, a adapta\u00e7\u00e3o de Guillermo del Toro do monstro cl\u00e1ssico da literatura Frankenstein traz, enquanto obra cinematogr\u00e1fica, um visual sublime que ajuda a distrair o p\u00fablico de algumas distor\u00e7\u00f5es significativas do texto original.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E que tremenda distra\u00e7\u00e3o \u00e9 esse visual. Perdoe-me, Netflix, que bancou o projeto, mas fujam da TV e corram para os cinemas. Este \u00e9 um filme para ser visto nas telas grandes; a fotografia de Dan Laustsen merece a maior tela poss\u00edvel para ser apreciada em todo o seu esplendor, enquanto a dire\u00e7\u00e3o de arte envolve o p\u00fablico em um pesadelo g\u00f3tico que reveza cores frias e sombrias com o vermelho-sangue presente em quase todas as cenas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa paleta de cores n\u00e3o \u00e9 meramente decorativa; ela reflete a dualidade central da narrativa reimaginada por del Toro. A maior e mais significativa altera\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao romance de Mary Shelley est\u00e1 na humaniza\u00e7\u00e3o da Criatura, interpretada com uma profundidade angustiante e vulner\u00e1vel por Jacob Elordi. Acompanhamos a evolu\u00e7\u00e3o gradual de um ser cuja dor \u00e9 primordialmente f\u00edsica e emocional, transmitida atrav\u00e9s de olhares e gestos. Elordi confere \u00e0 criatura uma gra\u00e7a tr\u00e1gica e uma inoc\u00eancia brutalizada, fazendo com que sua dor ecoe mais alto que qualquer discurso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa escolha narrativa se conecta diretamente \u00e0 vis\u00e3o de del Toro para Victor Frankenstein (Oscar Isaac), aqui figura ainda mais sombria e, paradoxalmente, mais compreens\u00edvel. O filme explora a ideia de que Victor \u00e9, ele mesmo, o resultado de uma cria\u00e7\u00e3o desumana. A crueldade e a frieza que ele inflige \u00e0 sua criatura s\u00e3o um reflexo direto do tratamento que recebeu do pr\u00f3prio pai. Victor n\u00e3o nasceu um monstro; ele foi forjado por um, reproduzindo o ciclo de abandono e rejei\u00e7\u00e3o que lhe foi ensinado. A criatura torna-se, assim, um espelho grotesco da pr\u00f3pria alma dilacerada de Victor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os figurinos, verdadeiras obras de arte por si s\u00f3, al\u00e9m de reafirmarem a divis\u00e3o entre classes, trazem elementos que imitam as texturas da natureza em alguns detalhes, mantendo a Criatura quase nua ou envolta em trapos que representam uma extens\u00e3o de sua mis\u00e9ria. A beleza meticulosa dos bordados e veludos nas roupas dos humanos destaca a crueza org\u00e2nica da exist\u00eancia do monstro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E \u00e9 essa crueza que del Toro n\u00e3o hesita em mostrar. As cenas no laborat\u00f3rio misturam fasc\u00ednio macabro e horror visceral. A destrui\u00e7\u00e3o e a desumaniza\u00e7\u00e3o dos cad\u00e1veres fogem de qualquer cuidado cient\u00edfico para se transformarem em mera viol\u00eancia profana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O diretor nos for\u00e7a a testemunhar o processo em toda a sua gl\u00f3ria terr\u00edvel, lembrando-nos que a mat\u00e9ria-prima do sonho de Victor \u00e9 a carne e o osso de vidas passadas. \u00c9 na tens\u00e3o entre a beleza sublime da fotografia e a brutalidade dessas imagens que o filme constr\u00f3i sua for\u00e7a, questionando at\u00e9 que ponto a busca pelo divino pode nos transformar nos verdadeiros monstros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Frankenstein de Guillermo del Toro consolida-se como uma atualiza\u00e7\u00e3o est\u00e9tica do c\u00e2none. \u00c9 uma obra que reafirma que a verdadeira trag\u00e9dia da hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 o monstro, mas a humanidade que o criou e depois o rejeitou. \u00c9 um filme para ser visto n\u00e3o apenas com os olhos, maravilhados pelo seu visual deslumbrante, mas com as entranhas, comovido pela performance sublime de Jacob Elordi e pela compaix\u00e3o com que del Toro trata sua criatura mais solit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\"><strong>Adriana Maraviglia<br><a href=\"https:\/\/www.twitter.com\/rev_eletrici\">@revistaeletricidade<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Assista ao trailer de &#8220;Frankenstein&#8221;: <\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed aligncenter is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Frankenstein | Guillermo del Toro | Official Trailer | Netflix\" width=\"640\" height=\"360\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/8aulMPhE12g?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos filmes mais esperados de 2025, a adapta\u00e7\u00e3o de Guillermo del Toro do monstro cl\u00e1ssico da literatura Frankenstein traz, enquanto obra cinematogr\u00e1fica, um visual sublime que ajuda a distrair o p\u00fablico de algumas distor\u00e7\u00f5es significativas do texto original. E que tremenda distra\u00e7\u00e3o \u00e9 esse visual. Perdoe-me, Netflix, que bancou o projeto, mas fujam da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":120,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4,12],"tags":[],"class_list":["post-119","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cinema","category-criticas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/119","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=119"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/119\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":121,"href":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/119\/revisions\/121"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/120"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=119"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=119"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=119"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}