{"id":1108,"date":"2026-07-12T20:12:02","date_gmt":"2026-07-12T23:12:02","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/?p=1108"},"modified":"2026-07-20T18:03:53","modified_gmt":"2026-07-20T21:03:53","slug":"foreign-tongues-a-juventude-eterna-dos-rolling-stones","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/index.php\/2026\/07\/12\/foreign-tongues-a-juventude-eterna-dos-rolling-stones\/","title":{"rendered":"Foreign Tongues: a juventude eterna dos Rolling Stones"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Por <a href=\"https:\/\/www.twitter.com\/drikared3\">Adriana Maraviglia<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Menos de 3 anos depois de &#8220;Hackney Diamonds&#8221;, os Rolling Stones est\u00e3o de volta. &#8220;Foreign Tongues&#8221; chegou ao mundo no \u00faltimo dia 10\/07, com uma nova safra de can\u00e7\u00f5es que reafirmam a for\u00e7a de uma banda que, exatamente neste dia 12\/07, completa seus 64 anos de rock n&#8217; roll, mas com &#8216;corpinho&#8217; de 20.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O 25\u00ba \u00e1lbum de est\u00fadio &#8220;chega chegando&#8221; com &#8220;Rough and Twisted&#8221;, uma faixa stoniana por excel\u00eancia, em que a banda abre as asas e se lan\u00e7a. Com uma voz que parece n\u00e3o sentir o tempo, Mick Jagger canta, enquanto a banda despeja aquela compet\u00eancia musical de sempre, em um blues el\u00e9trico com direito ao piano &#8220;honky tonk&#8221; de Ben Waters, a sempre afiada slide guitar de Ronnie Wood e a gaita sensacional de Jagger.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A segunda faixa foi o primeiro single a sair do \u00e1lbum, &#8220;In the Stars&#8221;. A sonoridade vai levar os f\u00e3s a um passeio por uma fase bem espec\u00edfica da banda: aquele momento entre &#8220;Steel Wheels&#8221; (89) e &#8220;Voodoo Lounge&#8221; (94), em que os Stones abriram as portas para a sonoridade da \u00e9poca que estavam vivendo. A can\u00e7\u00e3o j\u00e1 ganhou um v\u00eddeo feito por IA que traz a imagem dos m\u00fasicos em uma outra fase da carreira, tentando ganhar um biscoito e seduzir os jovens de hoje, lembrando-os que todas aquelas rugas que apareceram em seu rosto ultimamente n\u00e3o estiveram sempre l\u00e1. Eles apenas s\u00e3o jovens h\u00e1 mais tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A produ\u00e7\u00e3o, novamente assinada por Andrew Watt, segue a mesma linha de &#8220;Hackney Diamonds&#8221;, mas com uma diferen\u00e7a crucial: desta vez, a sonoridade ganhou mais espa\u00e7o e respeitou o trabalho da banda, sem aquela compress\u00e3o que comprometeu um pouco o brilho do disco de 2023. O resultado \u00e9 um \u00e1lbum que soa mais org\u00e2nico, permitindo que cada instrumento respire.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como seu antecessor, o disco reserva espa\u00e7o para um time de convidados que faria qualquer festival parecer modesto. Paul McCartney, Robert Smith, Steve Winwood, Chad Smith e at\u00e9 Bruno Mars aparecem em faixas espec\u00edficas, mas a beleza est\u00e1 na discri\u00e7\u00e3o: nenhum deles est\u00e1 l\u00e1 para &#8220;mudar o jogo&#8221;, como Lady Gaga fez em &#8220;Hackney Diamonds&#8221;. Eles entram como m\u00fasicos de est\u00fadio, n\u00e3o como estrelas, provando que, quando os Stones chamam, voc\u00ea aceita o que vier \u2014 mesmo que seja para tocar apenas um cowbell, como fez Bruno Mars na dan\u00e7ante &#8220;Never Wanna Lose You&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com uma sonoridade que traz \u00e0 mem\u00f3ria a maravilhosa &#8220;Faraway Eyes&#8221;, &#8220;Ringing Hollow&#8221; \u00e9 uma das faixas mais pol\u00edticas do disco. A letra traz uma vis\u00e3o cr\u00edtica sobre os Estados Unidos \u2014 um pa\u00eds que, a cada novo dia, se aproxima mais do extremismo das ditaduras sanguin\u00e1rias e se distancia de qualquer ideia de democracia. Mick Jagger conduz a narrativa com a precis\u00e3o de quem observa o mundo h\u00e1 d\u00e9cadas. Quase escondido na mixagem, surge o backing vocal de Keith Richards, um rosnado grave que surpreende. \u00c9 o tipo de detalhe que faz a diferen\u00e7a: a voz de Keith n\u00e3o est\u00e1 l\u00e1 para brilhar, mas para dar \u00e0 m\u00fasica a textura que s\u00f3 quem conhece a banda h\u00e1 60 anos sabe como entregar.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"449\" src=\"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/capaft-1024x449.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1118\" srcset=\"https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/capaft-1024x449.jpg 1024w, https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/capaft-300x132.jpg 300w, https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/capaft-768x337.jpg 768w, https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/capaft-1536x674.jpg 1536w, https:\/\/revistaeletricidade.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/capaft.jpg 1800w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Capa de Foreign Tongues &#8211; foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E quando o solo de Ronnie Wood entra em &#8220;Back In Your Life&#8221;, uma balada j\u00e1 linda daquelas que Mick Jagger parece compor toda quarta=feira \u00e0 noite, voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 ouvindo apenas um guitarrista tocando. Est\u00e1 ouvindo a dor de um m\u00fasico que perdeu dois amigos na mesma semana \u2014 Brian Wilson e Sly Stone. Wood disse que fez aquele solo em um take s\u00f3, nove minutos de pura emo\u00e7\u00e3o, e que nem sentiu que foi ele quem tocou: a guitarra se tocou sozinha. Depois de ouvir isso, fica dif\u00edcil n\u00e3o ouvir a m\u00fasica de outro jeito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda no quesito emo\u00e7\u00e3o, &#8220;Hit Me In The Head&#8221; tem a participa\u00e7\u00e3o de Charlie Watts, gravada em uma de suas \u00faltimas sess\u00f5es. A faixa, que originalmente teve a produ\u00e7\u00e3o de Don Was, foi regravada reaproveitando o trabalho do Charlie, e chama aten\u00e7\u00e3o dentro do conjunto deste novo \u00e1lbum por sua crueza e energia rock n&#8217; roll.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A faixa que carrega o maior peso emocional, por\u00e9m, \u00e9 a cover de &#8220;You Know I&#8217;m No Good&#8221;, de Amy Winehouse. A escolha partiu de Keith Richards, que sempre esperou encontrar a cantora, e de Ronnie Wood, amigo pr\u00f3ximo dela. A gaita de Jagger substitui os metais originais, transformando a melancolia da vers\u00e3o de Amy em um blues de peso, como uma homenagem tardia a uma artista que cruzou o caminho da banda e se foi embora cedo demais. Como disse Richards: &#8220;Ela era para ter se encontrado com a gente em algum lugar.&#8221; Com esse disco, finalmente aconteceu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De muito tempo para c\u00e1, Keith Richards assume o vocal principal de pelo menos uma faixa. Em &#8220;Foreign Tongues&#8221;, esta m\u00fasica \u00e9 &#8220;Some Of Us&#8221;, uma daquelas baladas t\u00edpicas do guitarrista, com o diferencial de um dueto lindo com Mick Jagger  que a transforma em um dos melhores momentos do disco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Foreign Tongues&#8221; fecha com outro cover, &#8220;Beautiful Delilah&#8221; de Chuck Berry, que parece ter sa\u00eddo diretamente das sess\u00f5es de &#8220;Blue &amp; Lonesome&#8221; e traz uma vers\u00e3o que consegue ser crua e linda. D\u00e1 a impress\u00e3o de se estar junto, na sala de ensaio, enquanto esses quatro caras (com a presen\u00e7a fantasma de Charlie Watts) se divertem tocando como se ainda estivessem no Marquee Club, em 1962. \u00c9 o encerramento perfeito para um disco que celebra o passado sem viver dele, e que prova que, para os Rolling Stones, o rock n&#8217; roll nunca foi uma quest\u00e3o de idade \u2014 foi sempre uma quest\u00e3o de atitude.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Surpreendentemente bom, &#8220;Foreign Tongues&#8221; n\u00e3o tenta reinventar os Rolling Stones. Ele apenas mostra que eles continuam capazes de fazer o que bem entenderem. Aos 64 anos de carreira, a banda entrega um \u00e1lbum que pode at\u00e9 revisitar o passado, mas respira no presente e ousa apontar para um futuro, mantendo esses g\u00eanios da m\u00fasica no topo, mesmo depois de terem passado dos 80 anos. O disco ainda prova que eles continuam relevantes e, para quem teve a sorte de ouvir, fica a certeza: a melhor fase dos Stones pode ser sempre a atual.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Ou\u00e7a agora &#8220;Foreign Tongues&#8221; no Spotify:<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-spotify wp-block-embed-spotify wp-embed-aspect-21-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n\t<div class=\"lynbro-cc-embed\"\n\t\tdata-lynbro-cc-embed=\"spotify\"\n\t\tdata-lynbro-cc-category=\"marketing\"\n\t\tstyle=\"aspect-ratio: 100 \/ 352;\">\n\t\t<template class=\"lynbro-cc-embed__frame\">\t<div class=\"lynbro-cc-embed\"\n\t\tdata-lynbro-cc-embed=\"spotify\"\n\t\tdata-lynbro-cc-category=\"marketing\"\n\t\tstyle=\"aspect-ratio: 100 \/ 352;\">\n\t\t<template class=\"lynbro-cc-embed__frame\"><iframe title=\"Spotify Embed: Foreign Tongues\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"352\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/album\/6jfU2DEetUUo8nmxrzwkhc?si=aq3QaI9vQ2K5Zt2_xvyitw&amp;utm_source=oembed\"><\/iframe><\/template>\n\t\t<div class=\"lynbro-cc-embed__inner\">\n\t\t\t<p class=\"lynbro-cc-embed__title\">O conte\u00fado de Spotify est\u00e1 bloqueado<\/p>\n\t\t\t<p class=\"lynbro-cc-embed__text\">Para ver este conte\u00fado de Spotify, voc\u00ea precisa aceitar os cookies relevantes. 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