Sob as Tulipas de “Holland”, um Thriller que Não Floresce

Holland – foto: Reprodução

Recém chegado à grade da Prime Vídeo, “Holland” logo chama atenção pelo elenco em que Nicole Kidman, Mathew Mcfadyen e Gael Garcia Bernal vivem uma história que alterna momentos de humor ácido e de thriller sangrento, ambientada em uma pequena cidade de forte influência da cultura holandesa, no estado do Michigan, no meio oeste norte americano.

Nicole é Nancy Vandergroot, a professora de Economia Doméstica do colégio local, que tenta com todas as suas forças ser a dona de casa ideal, a mulher que deseja ser admirada pelo marido e o filho, mas também por toda a comunidade por seus dons para cuidar da casa e da família, naquele contexto conservador e cheio de tradições.

Fred (Matthew Macfadyen, da série Succession) é o marido de Nancy, o oftalmologista da cidade que se dedica a duas coisas: seu consultório e a construção com a ajuda do filho Harry (Jude Hill) de um cenário muito detalhado para seu trem elétrico.

A diretora Mimi Cave, já conhecida pelas esquisitices do terror em Fresh (2022), constrói sua narrativa a partir das vozes dos personagens, que gradualmente desmontam o mundo aparentemente idílico em que vivem. Tudo começa quando Nancy passa a investigar o sumiço de um brinco de pérola, convencida de que a babá o roubou. Essa busca, no entanto, a leva a pistas perturbadoras que lançam suspeitas sobre o marido — suas frequentes viagens de trabalho e a possibilidade de uma traição.

Para investigar o marido, Nancy convoca a ajuda do colega professor Dave (Gael Garcia Bernal) e o cenário idílico da cidadezinha cheia de tulipas e tradições holandesas começa a se desmanchar diante dos nossos olhos conforme as tais “investigações” dos dois vão levando a conclusões cada vez mais assustadoras.

Com um roteiro de Andrew Sodroski cheio de inconsistências que já rodava por Hollywood há mais de uma década, “Holland” é daqueles filmes que prometem muito no papel, mas desapontam na tela. Não à toa, acabou relegado ao streaming. Em sua tentativa de criticar um mundo de aparências, a obra acaba se tornando exatamente o que condena: superficial, estilo sobre substância. E o maior pecado? O trailer era muito melhor do que o filme inteiro.

Adriana Maraviglia
@revistaeletricidade

Assista ao trailer de “Holland”:

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